Por Cibele Laurentino
Quando pensamos em literatura, é comum imaginarmos romances de grandes conflitos, personagens extraordinários ou acontecimentos capazes de mudar destinos. No entanto, existe um gênero literário que escolheu caminhar na direção oposta. A crônica encontra grandeza justamente naquilo que parece pequeno. É desse lugar que nasce Eu e Eles – Volume 2: Crônicas Olhos Brilhantes, mais recente obra do escritor mineiro Ricardo Salim.
O livro reúne textos escritos ao longo de 2025 e reafirma uma característica que acompanha a trajetória do autor: a capacidade de transformar o cotidiano em documento afetivo de uma época. Cada crônica preserva costumes, comportamentos e pequenas cenas da vida comum que, embora pareçam passageiras, ajudam a compreender quem somos enquanto sociedade.
Ao abordar temas como envelhecimento, futebol, religiosidade popular, relações familiares e até os nomes dados aos animais de estimação, Ricardo Salim demonstra que a literatura não precisa buscar o extraordinário para produzir impacto. Basta olhar com atenção para aquilo que acontece diariamente nas ruas, nas casas e nas conversas entre pessoas comuns.
Em tempos de transformações aceleradas, livros como este cumprem uma função que ultrapassa o entretenimento. Eles preservam modos de viver, de falar e de sentir. São registros de uma memória coletiva que dificilmente seria encontrada em documentos oficiais, mas que permanece viva por meio da literatura.
Essa talvez seja uma das maiores contribuições da crônica para a cultura brasileira. Desde os textos de Machado de Assis, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade, o gênero tornou-se um espaço privilegiado para registrar o espírito do tempo. Ricardo Salim insere-se nessa tradição ao construir narrativas que dialogam diretamente com a experiência cotidiana do leitor, sem abrir mão do humor, da delicadeza e da reflexão.
Natural de Rio Espera e radicado em Barbacena desde a infância, Ricardo Salim construiu uma trajetória que une literatura, jornalismo e atuação cultural. Fundador do portal Barbacena Online, membro da Academia Barbacenense de Letras, professor de Direito e incentivador da produção literária regional por meio da Editora BOL, o autor desenvolve um trabalho voltado tanto para a escrita quanto para a preservação da memória cultural de sua região.
Sua bibliografia inclui o livro de poemas Como se faz um Poeta (1982), a obra infantil Uma Fada Chamada Totoca (2022), o primeiro volume de Eu e Eles – Antes do Apocalipse (2025) e, agora, Eu e Eles – Volume 2: Crônicas Olhos Brilhantes, consolidando um projeto literário dedicado à valorização da crônica contemporânea.
Mais do que uma coletânea de textos, Olhos Brilhantes funciona como um convite para reaprender a observar. Em uma época em que tudo parece acontecer depressa demais, Ricardo Salim lembra que a literatura continua sendo um espaço onde o tempo desacelera e a vida revela sua verdadeira dimensão.
Talvez seja justamente esse o maior legado da obra: mostrar que as histórias capazes de atravessar gerações nem sempre acontecem em cenários grandiosos. Muitas delas começam na esquina de casa, em uma lembrança de infância, em uma conversa casual ou em um gesto quase invisível. Quando registradas por um olhar sensível, essas pequenas narrativas deixam de pertencer apenas a quem as viveu e passam a integrar a memória de todos nós.

Onde encontrar a obra
Eu e Eles – Volume 2: Crônicas Olhos Brilhantes está disponível em formato impresso e digital na Amazon e também nos canais oficiais de Ricardo Salim e da Editora BOL. (Amazon Brasil
