O Brasil no Topo dos Andes: Pedro Hauck escala o Coropuna e se torna o 2º maior conquistador de “Seismiles” do mundo

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AREQUIPA, PERU – O montanhismo brasileiro acaba de cravar um marco histórico sem precedentes na Cordilheira dos Andes.

Sob condições de frio extremo e exaustão física, o montanhista e geógrafo Pedro Hauck atingiu o cume do vulcão Coropuna (6.425 metros), no Peru.

O feito marca a conquista de seu 70º cume diferente acima de 6.000 metros de altitude apenas nos Andes e logo depois o Amparo de 6288 metros, posicionando-o oficialmente como o segundo maior escalador de montanhas de 6 mil metros do planeta, de acordo com os critérios do renomado geógrafo e cartógrafo britânico John Biggar, a maior autoridade mundial no inventário andino.

Ao retornar a Arequipa profundamente desgastado pelo esforço, Hauck consolidou uma jornada de mais de duas décadas de exploração autônoma, isolada e técnica.

O Cenário do Recorde: O Frio e a Imensidão do Coropuna

O Coropuna não é apenas o maior vulcão do Peru; é um maciço complexo, defendido por um vasto platô de gelo e calotas glaciais que exigem navegação impecável e altíssima resistência.

A investida final de Pedro Hauck foi marcada por temperaturas congelantes e um desgaste físico brutal, característico das montanhas da região de Arequipa.

“Foi muito frio e muito cansativo”, relatou Hauck logo após o retorno à civilização.

“Cheguei a Arequipa bastante cansado.”

O Coropuna testou os limites do montanhista de 44 anos, coroando uma temporada avassaladora: esta foi a sua montanha de número 25 somente no ano de 2026, sendo que todas as 25 foram acima dos 5.000 metros de altitude.

O dado evidencia a intensidade de uma rotina em que Hauck passa praticamente o ano inteiro escalando na alta altitude.

O Peso do Número: 71 Cumes Distintos e Centenas de Repetições

Existe uma diferença brutal entre o montanhismo comercial de repetição e a logística necessária para desbravar 71 montanhas completamente diferentes nos Andes.

A maior parte desses cumes andinos foi conquistada por Pedro de forma totalmente independente e autônoma — muitas vezes no estilo by fair means (por meios justos), sem mulas ou suporte externo em gigantes como, Aconcágua (rota normal e 360), Mercedário, Ramada, Toro e Tupungato, apenas para citar algumas das montanhas andinas com aproximação mais longa.

No entanto, a bagagem de alta altitude de Hauck vai muito além dos cumes distintos:

As Repetições como Guia: Somando-se ao trabalho de exploração, Pedro acumula dezenas de repetições nas montanhas que guia profissionalmente através de sua agência, a Soul Outdoor.

São inúmeros cumes no Aconcágua, Ojos del Salado e Huayna Potosí.

Quando computadas as repetições, o número total de cumes de Pedro acima dos 6.000 metros dispara para 129 ascensões, consolidando um volume técnico impressionante.

A Bagagem Além dos Andes: Vale destacar que o recorde andino de 70 montanhas diferentes não resume o seu currículo global.

Pedro possui uma sólida trajetória no Himalaia, onde escalou montanhas de 6, 7 e 8 mil metros, incluindo o feito de ser o primeiro brasileiro a subir duas montanhas de 7 mil metros na Ásia (Spantik e Himlung) e a experiência em um gigante da zona da morte, o Manaslu de mais de 8.000m.

O Reconhecimento Internacional e o Critério Biggar

A marca de Pedro Hauck ganha contornos oficiais ao ser chancelada pelo banco de dados de John Biggar (autor de The Andes: A Guide for Climbers).

Biggar adota critérios rígidos de proeminência topográfica para catalogar o que realmente constitui uma montanha independente acima de 6.000 metros na cordilheira — uma lista que oscila entre 100 e 115 montanhas em toda a América do Sul.

Ao cravar o cume de número 70 no Coropuna, Pedro Hauck isola-se na segunda colocação do ranking mundial histórico, ficando atrás apenas do argentino M. G. K. Serantes.

Envelhecer Escalando: A Jornada Continua

Aos 44 anos, Pedro Hauck reforça a tese de que o montanhismo de alta altitude é um esporte de maturidade, onde a experiência e a resiliência psicológica pesam tanto quanto a explosão física.

Embora o Coropuna tenha cobrado um preço alto por cansaço, o plano do geógrafo e guia sócio fundador da ABGM (Associção Brasileira de Guias de Montanha) permanece inalterado.

Com o ano de 2026 ainda em curso e mantendo o ritmo frenético de expedições, o foco de Pedro Hauck continua sendo o seu maior lema de vida: “envelhecer escalando”.